Float
O dinheiro dos outros em trânsito: os recursos que ficam, temporariamente, nas mãos de um intermediário entre o recebimento e o repasse, e que rendem para quem os segura. É o modelo das seguradoras (prêmios recebidos hoje, sinistros pagos depois, o float que construiu fortunas célebres) e foi, no Brasil da hiperinflação, a alma do lucro bancário: depósitos parados rendendo overnight para o banco enquanto valiam pó para o cliente.
Exemplo Prático
Na era dos 40% ao mês, o dinheiro que dormia um dia na compensação rendia fortunas ao banco e nada ao correntista: o float inflacionário chegou a responder pela maior parte do resultado do sistema. O Plano Real o extinguiu da noite para o dia, e a crise bancária que se seguiu, com direito a Proer, foi a abstinência dessa receita.
PlatomAI Explica
O float é o lucro da espera: o juro do dinheiro alheio no intervalo em que ele é seu sem ser seu. Nas seguradoras, é modelo de negócio legítimo e célebre; no Brasil pré-Real, foi a renda que fez bancos lucrarem com a desgraça monetária, e cuja extinção revelou quem sabia bancar de verdade. O verbete deixa a pergunta-ferramenta para analisar qualquer intermediário: quanto do resultado desta casa vem do serviço, e quanto vem de segurar o dinheiro dos outros?

