Defasagem Cambial
O atraso do câmbio em relação à inflação: quando a taxa nominal fica parada (ou desliza menos que os preços internos), a moeda aprecia em termos reais, exportar fica caro, importar fica barato, e a competitividade se corrói silenciosamente. Foi a doença crônica das âncoras cambiais, do câmbio congelado do Cruzado à sobrevalorização do real na primeira fase do Plano Real.
Exemplo Prático
Entre 1994 e 1998, com o real fortalecido pela âncora, a defasagem produziu seu quadro clássico: importações inundando o mercado, indústria pressionada e déficits externos crescentes, financiados por juros altos, até o ajuste de 1999 devolver, de uma vez, o que o congelamento havia represado.
PlatomAI Explica
A defasagem cambial é a conta que corre em silêncio: cada mês de câmbio parado com inflação andando é competitividade evaporando sem manchete. Ela ensina que taxa nominal estável não é sinônimo de câmbio saudável, o que importa é o real efetivo, e que âncoras cambiais compram desinflação pagando com déficit externo. A pergunta de auditoria é eterna: estável em relação a quê, e às custas de quê?

