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NATU3 — NATURA
Ação B3 · Setor: Consumo não Cíclico · Subsetor: Produtos de Uso Pessoal
📝 ABERTURA
A Natura é uma das marcas mais queridas do Brasil. Foi fundada em 1969 em São Paulo por Antônio Luiz Seabra, em uma loja na Vila Madalena. Hoje, é uma das maiores empresas brasileiras de cosméticos, com forte presença no varejo direto via consultoras (modelo Avon clássico). Mas a Natura como você conhece passou por uma transformação radical entre 2017 e 2025 — adquiriu Aesop em 2013, The Body Shop em 2017, e Avon em 2020 — e depois precisou desfazer todas essas aquisições. Em 2025, a transformação foi concluída, e a empresa voltou a usar o ticker NATU3 (era NTCO3). Vale entender como chegamos aqui.
💰 COMO GANHA DINHEIRO
A Natura ganha dinheiro vendendo cosméticos, perfumaria, higiene pessoal e cuidados — diretamente via consultoras (modelo histórico) e via lojas próprias e e-commerce. Marcas: Natura (premium nacional, principal), Avon (relançada em 2026 — 15% da receita Brasil). Operação geográfica: Brasil (principal), América Latina hispânica (Argentina, México, Colômbia, Chile, Peru — afetada por hiperinflação argentina). Receita 2025: R$ 22,2 bi (-5%). EBITDA 2025: R$ 3,1 bi com margem 14,1% (esperando expandir em 2026). Lucro 2025 ajustado (excluindo provisões The Body Shop): R$ 620 mi no 4T25.
✅ Pontos fortes
- Simplificação corporativa concluída. Após 8 anos de complexidade (Aesop, Body Shop, Avon Internacional), a Natura voltou ao foco. NTCO3 → NATU3 é simbólico mas significativo. Empresa mais simples = decisões mais rápidas, P&L mais transparente.
- Margem EBITDA expandindo. +700 bps no 4T25 (de 8,8% para 15,8%). 2026 deve ver expansão acima dos 14,1% de 2025. Eficiência ganhando tração — efeito direto da reestruturação e foco em premium.
- Brand equity da Natura é único no Brasil. Marca tem associação forte com sustentabilidade, propósito, qualidade. Em mercado de cosméticos competitivo, isso permite premium price e fidelização. Beneficiária de tendências de consumo consciente.
⚠️ Pontos de atenção
- Receita ainda em queda. Receita líquida -12,1% no 4T25 e -5% em 2025. Brasil desacelerando, Argentina pressionada por hiperinflação. Crescimento de receita ainda não retornou — empresa precisa provar que pode crescer organicamente após simplificação.
- Sem dividendos em 12 meses. DY de 0%. Para tese de renda passiva, é tese errada. Empresa segue alocando capital em reestruturação e relançamento da Avon — proventos relevantes só voltam após estabilização.
- Avon Brasil é tese de execução. Relançamento da Avon depende de tecnologia, novas fragrâncias, reposicionamento de revendedoras. Histórico recente da marca não é dos melhores. Pode dar certo ou ser mais um capítulo de frustração.
- Múltiplo P/L negativo. P/L de -1,88 — empresa com prejuízo acumulado. Para análise tradicional, não há referência clara de múltiplo. Investidor que compra paga aposta de inflexão, não retorno baseado em lucros estáveis.
🎯 A Natura (NATU3, ex-NTCO3) é tese de inflexão pós-simplificação no varejo de cosméticos da B3 — fim do ciclo Avon Internacional / Body Shop / Aesop, foco no Brasil + relançamento Avon. Encaixa em carteiras que apostam em recuperação operacional e marca com brand equity forte. Não é tese de renda — é tese de capital com horizonte de 2-3 anos para o relançamento da Avon e expansão de margem se materializarem.
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