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MRVE3 — MRV

Ação B3 · Setor: Consumo cíclico · Subsetor: Construção Civil

📝 ABERTURA

Se você dirige pela periferia de uma cidade brasileira e vê aqueles condomínios de prédios baixos pintados com cores claras, todos parecidos, é provável que sejam MRV. Nasceu em Belo Horizonte em 1979, construiu mais de 600 mil apartamentos ao longo das décadas e é o nome dominante da habitação popular no Brasil. Quase 100% das vendas hoje passam pelo Minha Casa Minha Vida.

💰 COMO GANHA DINHEIRO

A MRV&Co reúne cinco operações: MRV Incorporação (habitação popular via MCMV, ~90% do resultado), Sensia (média renda), Urba (loteamentos), Luggo (locação) e Resia (desenvolvimento nos EUA, em desinvestimento). A operação principal compra terreno, constrói condomínios padronizados e vende para famílias que financiam pela Caixa. Em 2025, a MRV Brasil lançou R$ 11,5 bi em VGV (+23%), entregou 40 mil unidades, margem bruta saiu para 30,4% e alavancagem da operação Brasil caiu para 1x EBITDA. Mas o consolidado fechou com prejuízo de R$ 1 bi por causa da Resia.

✅ Pontos fortes

  • Líder absoluta em MCMV. Maior incorporadora de habitação popular do Brasil. 40 mil unidades entregues/ano. Relacionamento com a Caixa é ativo difícil de replicar.
  • Margem bruta no melhor patamar em 6 anos. Margem bruta Brasil chegou a 31% no 4T25 — melhor desde 2019. Reflexo do turnaround: limite de produção, redução de praças, disciplina de terreno.
  • MCMV em momento favorável. Programa em seu melhor momento histórico. Novas faixas, teto ampliado e subsídio mais generoso criam ambiente excepcional para o segmento.
  • Geração de caixa Brasil em retomada. 1T26 trouxe R$ 96 mi de geração de caixa — melhor em 5 anos. Abre caminho para retomada de dividendos em 2027.

⚠️ Pontos de atenção

  • Resia é o vilão do consolidado. Subsidiária americana gerou R$ 1,4 bi de resultado negativo em 2025. Plano de desinvestimento prevê venda de US$ 633 mi em ativos. Até a venda fechar, o consolidado fica mascarado.
  • Alavancagem ainda alta. Dívida líquida/PL em 103,6% — um dos mais altos entre construtoras listadas. A queda depende da venda dos ativos da Resia.
  • Sensibilidade aos juros. MCMV é puxado por crédito subsidiado, mas capital de giro, despesas financeiras e financiamento à construção sofrem com Selic alta. Cortes em 2026 ajudam diretamente.
  • Risco regulatório do MCMV. Programa é decisão política. Mudanças de teto, subsídio ou regras de elegibilidade afetam a demanda. Ciclo eleitoral e fiscal pesa no horizonte.

🎯 A MRV é tese de turnaround imobiliário com motor Brasil acelerando — margem em alta, geração de caixa retornando, MCMV em momento histórico — mas peso ainda relevante da Resia até o desinvestimento completar. Encaixa em carteira moderada a agressiva com horizonte de 2-3 anos. Quem busca dividendo no curto prazo deve esperar 2027.

🔍 Quer entender quanto a venda da Resia ainda pesa no lucro de 2026, comparar a margem com Cury, Direcional e Tenda, e ver os cenários para retomada de dividendos? Toque em Raio-X PlatomAI.